13 de outubro de 2021

Em Dubai, empresas paranaenses fortalecem conexões para expansão ao mundo árabe

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A prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso, foi uma das representantes dos municípios que também estiveram presentes na missão para apresentar seu potencial turístico e corporativo. A região já tem contato com países árabes através da BRF, que exporta frango halal. No evento, essa relação ganhou uma nova conexão em uma reunião de cooperativas da região com empresários de Dubai, que demonstraram interesse especial na produção de leite em pó.

A missão comercial do Paraná em Dubai já rende novas perspectivas para o Estado. Após dois dias de rodadas de negócios, empresas paranaenses engatilharam acordos com parceiros internacionais que conheceram suas potencialidades no Paraná Business Experience, evento que acontece em paralelo à Expo Dubai 2020.

“Nossas empresas estão tendo a oportunidade de mostrar todo seu potencial ao mundo. Algumas das principais vocações do Paraná, como a produção de alimentos, o cooperativismo e o desenvolvimento de novas tecnologias por startups já chamaram a atenção de grandes investidores e potenciais parceiros. Agora entramos na fase de amadurecer as relações e concretizar negócios”, destacou o governador Ratinho Junior (PSD).

Entre as áreas que se destacaram no evento estão as indústrias de bem-estar, agronegócio e tecnologia. Uma delas é a empresa Aeroflex, referência nacional em aerossóis, que aproveitou a missão em Dubai para lançar uma linha de biotranspirantes naturais produzidos à base de água, a BemBio. A novidade teve investimento de R$ 5 milhões, e a expectativa é de comercializar 29 milhões de unidades do produto por ano, com presença em 20 mil pontos de venda.

A nova linha foi desenvolvida para gerar menos impacto ambiental. Para isso, ela utiliza gás ecológico de origem vegetal, com emissão de carbono três vezes menor que gases convencionais, além de ser isenta de materiais como alumínio, álcool, triclosan e silicones.

Marcio Paranhos Miksza, CEO da Aeroflex, pontua que o Paraná Business Experience foi a oportunidade ideal para lançar a novidade da empresa, que almeja atingir novos mercados. “Vimos como uma oportunidade a vinda do Paraná para esse que é o principal evento do mundo, com um tema que faz todo o sentido para o que o produto oferece: a sustentabilidade. Estamos lançando o primeiro biotranspirante a base d ‘água em aerossol do mundo, uma tecnologia 100% paranaense, um produto que tem tudo a ver com a proposta do Brasil aqui no evento”, explicou.

Ele entende que, por se tratar de um evento internacional de grande porte, são muitas as oportunidades de novas conexões e de fazer sua empresa ser conhecida por diversos países – especialmente na comunidade árabe. “Tenho certeza de que a Aeroflex vai sair daqui com muitas oportunidades alinhadas que futuramente vão virar negócio. Já temos conversas com empresas da região, possíveis distribuidoras dos nossos produtos, e acredito que é uma questão de tempo para estarmos presentes nos mercados daqui”, endossou.

COOPERATIVAS – A tradição paranaense das cooperativas agrícolas também saltou aos olhos de potenciais investidores, que veem vantagens em agregar a força de trabalho de uma região em prol de interesses em comum. O Paraná conta com 120 unidades agroindustriais cooperadas, que abarcam 2,48 milhões de cooperados e geram cerca de 113 mil empregos diretos.

O secretário estadual de Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, aponta que isso nem sempre é parte da cultura local, e que, ao longo da história, a boa articulação do hábito de cooperar construiu o modelo empresarial que hoje é dominante no Estado.

Segundo ele, trocas comerciais foram iniciadas nas áreas de fertilizantes, derivados de leite, sucos, erva-mate e mel. “Temos visto aqui um olhar carinhoso de nossos potenciais parceiros árabes com essa grandeza do cooperativismo no agronegócio paranaense. Eles percebem que essa forma de organização pode encurtar o caminho e aproximar interesses de ambos os lados, favorecendo as trocas. Tudo isso é possível acontecer se aproveitarmos bem essa relação que está sendo construída entre os países”, pontuou.

A cooperativa industrial C. Vale foi uma das que protagonizou conversas com países árabes com foco em novas parcerias. Walter Andrei Dal´Boit, diretor da empresa, se surpreendeu com a rapidez com que as conexões foram geradas no evento. Entre os exemplos estão Emirados Árabes Unidos e Egito, dois países que já estão em fase de discussões de potenciais negócios.

“Apresentamos a qualidade que temos, que atende os mercados mais exigentes do mundo. Assim que descemos do palco, fomos chamados a uma sala de negociação. Foi um avanço bem rápido e promissor. De forma geral, eles ficaram surpresos com uma outra ideia de Brasil e, principalmente, uma ideia muito mais avançada do que é o Paraná. Não sabiam de toda a pujança e organização que existe no Estado, tanto na indústria como no agronegócio”, disse.

A prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso, foi uma das representantes dos municípios que também estiveram presentes na missão para apresentar seu potencial turístico e corporativo. A região já tem contato com países árabes através da BRF, que exporta frango halal.

No evento, essa relação ganhou uma nova conexão em uma reunião de cooperativas da região com empresários de Dubai, que demonstraram interesse especial na produção de leite em pó. A cidade tem no leite sua principal produção agrícola: o produto gerou um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 373,13 milhões em 2020, o equivalente a 31,86% do total gerado pelo Município.

“É uma oportunidade ímpar estar neste evento em que temos a chance de ter contato com câmaras de comércio de todo o mundo. Esse contato vem engrandecer nossas conexões, levando mais desenvolvimento para a região dos Campos Gerais. A exportação do leite em pó será com certeza um grande avanço para a região”, pontuou a prefeita.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Há cinco anos no mercado de tecnologia, a startup Robô Laura desenvolveu uma tecnologia capaz de ajudar a equipe médica a identificar o diagnóstico de sepse, uma infecção generalizada que mata mais de 230 mil brasileiros por ano. Através de inteligência artificial, o robô analisa mais de 90 variáveis e gera alertas em casos de risco. Com isso, a tecnologia reduz em 25% a taxa de mortalidade geral e em 10% o tempo médio de internação por paciente. Foi um dos “cases” paranaenses apresentados em Dubai.

“Nós criamos um sistema de inteligência artificial que poderia ajudar os médicos e enfermeiros a identificar quais eram os pacientes em risco. Hoje, nossa tecnologia está em toda a jornada do paciente, em mais de 50 centros de saúde no Brasil. Nesses cinco anos, foram mais de 10 milhões de atendimentos analisados pela Laura”, explicou Cristian Rocha, CEO da startup.

Com o tempo, outras tecnologias foram desenvolvidas pela empresa. Foi o caso do PA Digital, criado rapidamente após o início da pandemia do coronavírus para ajudar na triagem de pacientes com sintomas da doença através de algoritmos. Além de hospitais, prefeituras e operadoras de saúde estão entre os clientes da empresa.

Rocha explicou que os produtos são pensados para resolver problemas sistêmicos na área da saúde de forma global, não apenas no Brasil. Por isso, a expansão internacional é um caminho natural a ser buscado – e que ganhou uma nova possibilidade através das rodadas de negócios em Dubai.

“Tivemos a oportunidade de conhecer grupos de investidores e conversamos com um grupo italiano com negócios na Europa e nos Emirados Árabes Unidos. A gente ainda não iniciou um casamento, mas já estamos no namoro, e há grandes possibilidades de firmar parcerias nos mercados árabe e europeu. Se não fosse um evento como esse, não teríamos tido a oportunidade de conhecer esses investidores. Esse evento é uma ponte para mostrar que o Paraná também pode exportar tecnologia e conhecimento para o mundo”, reforçou o CEO.


No 1° dia, Paraná Business Experience reúne empresários do agronegócio e do setor florestal

Começou nesta segunda-feira, 11, em Dubai, a primeira edição do Paraná Business Experience 2021, um evento inédito realizado para conectar empresas paranaenses de diversos segmentos com investidores e compradores estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos e de outros países.

O evento acontece paralelamente à Expo Dubai 2020, a maior exposição internacional do mundo e que este ano conta com a participação de 191 países, entre eles o Brasil, que até o próximo dia 17 homenageia o Estado do Paraná no pavilhão dedicado ao País.

O primeiro dia começou com uma série de palestras sobre como fazer negócios com os Emirados Árabes Unidos, voltadas aos empresários paranaenses, e painéis com empresas e autoridades do Estado, direcionados aos investidores estrangeiros.

O primeiro a falar foi o embaixador do Brasil nos EAU, Fernando Igreja. Ele explicou o processo que transformou os sete principados da região, há 50 anos, ainda sob domínio britânico, na grande potência econômica da região do Mar Arábico.

“Os Emirados Árabes souberam transformar a sua riqueza natural, o petróleo, em oportunidade. Mas o objetivo do país não é depender desta riqueza, por isso, investem tanto em inovação, principalmente na área de energia eólica e solar, diversificando a sua economia”, contou. “Todos os nossos setores produtivos podem se beneficiar desta parceria. E o Paraná tem excelentes oportunidades para ampliar os seus negócios aqui”.

Naji Hatem e Glauber Adão Jaskievicz, da Rockland Group falaram sobre como abrir um negócio na região e como funcionam as Zonas Francas (também conhecidas como Free Zones) nos EAU. A programação voltada para empresas paranaenses contou ainda com a participação dos advogados Hani Naja e Rony Eid, do escritório Baker & McKenzie, sobre jurisdições locais; e com a apresentação da chefe de Operações do Escritório da Apex-Brasil em Dubai, Karen Jones.

O governador Ratinho Junior descreveu, a partir de cada município-polo do Estado, a potência produtiva e econômica do Paraná. Também lembrou do objetivo de tornar a região um hub logístico da América do Sul, ou “a ponte entre as regiões Sul e Sudeste, e entre os Oceanos Pacífico e Atlântico”.

Ratinho Junior lembrou dos investimentos realizados em grandes projetos de infraestrutura e em obras de desenvolvimento urbano realizados nos últimos dois anos e meio. “Atraímos mais de R$ 83 bilhões de negócios com a confiança da iniciativa privada e sabemos onde queremos chegar. Melhorar todos os nossos indicadores, dar a guinada em infraestrutura que a população merece e construir o Estado mais inovador do Brasil”, afirmou.

O presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, disse que atualmente o comércio entre o Paraná e os EAU gira em torno de US$ 359 milhões/ano. “Nosso objetivo é dobrar esse número. Eles têm o dinheiro para investir e nós temos os produtos que eles precisam”, afirmou. Logo em seguida, a comitiva do governo paranaense participou de uma série de encontros com empresários e investidores locais.

PRIMEIRO DIA – Esse primeiro dia da rodada de negócios foi dedicado ao mercado de madeira, papel e celulose, agronegócio e a indústria de alimentos e bebidas. Na terça-feira será a vez das áreas de wellness, tecnologia, infraestrutura e indústria automotiva.

O desenvolvimento sustentável foi destaque do painel sobre o segmento de madeira, papel e celulose, que contou com a participação do dono da Repinho Reflorestadora, Odacir Antonelli, com diretores da Klabin Francisco César Razzolini e Flávio Deganutti. As duas empresas mostraram como é possível crescer e se tornar referência no mercado mundial, priorizando a proteção ambiental e as práticas sustentáveis.

A Klabin, instalada no Paraná desde 1934, tem como foco produtos florestais renováveis, recicláveis e biodegradáveis. De acordo com Razzolini, toda a gestão da empresa está orientada para o desenvolvimento sustentável. “Possuímos a maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil, com 250 mil hectares. Além disso, 43% das nossas áreas florestais são preservadas e realizamos o manejo florestal em mosaico, intermediando florestas plantadas com florestas nativas, formando corredores ecológicos que preservam nascentes e protegem 822 espécies de fauna e 1,9 mil espécies de flora”, explicou.

A empresa tem uma capacidade de produção anual de 2,1 milhões de toneladas papel e 1,6 milhão de toneladas de celulose de mercado. Grande parte dessa produção vai para a fabricação de embalagens para alimentos, como frutas, verduras, proteína animal e líquidos.

A Repinho Reflorestadora, terceira maior empresa de compensados do País, é economicamente autossuficiente em matéria-prima e as suas reservas florestais são preservadas. “Mantemos árvores de até 60 anos de idade e incentivamos o plantio para preservar a mata nativa e as nascentes. O reflorestamento para a Repinho é ouro verde”, explicou Antonelli.

Responsabilidade social e educação são outras preocupações do grupo, que atualmente conta com 19 empresas, além de um parque tecnológico, dedicado à inovação. “Além de investir na formação dos funcionários, acompanhamos a vida escolar de 700 crianças de 2 a 8 anos de idade e estabelecemos parcerias com universidades para a formação de jovens”, completou.

COOPERATIVISMO – O segundo painel, mediado pelo secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, abordou o segmento de alimentos e bebidas, e recebeu Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, representando o Sistema Ocepar; Jorge Karl, presidente da Agrária; e Walter Andrei, da C. Vale.

O tema central foi a força e a importância do cooperativismo para o desenvolvimento do Estado. Segundo Lourenço, 60% de toda a matéria-prima produzida pelo Paraná passa pelo sistema cooperativo. “O Estado conta com o melhor cooperativismo do Brasil. Isso porque ele se baseia nas pequenas propriedades, que por conta própria não conseguem comprar e vender”, disse.

A sustentabilidade foi outro tema de destaque entre os convidados. Karl lembrou que o Paraná é pioneiro no plantio direto, que reduz os custos de produção, aumenta a estabilidade do solo e evita o uso massivo de herbicidas e inseticidas. “As cooperativas paranaenses possuem todas as certificações e o Brasil é um dos poucos países do mundo que têm capacidade de crescimento na produção de alimentos sem precisar de grandes áreas”, explicou.

“Nossa agricultura é competitiva porque temos escala, território e produzimos o ano inteiro. E vamos aumentar a nossa produção sem derrubar nenhuma árvore”, completou Ortigara.

RESULTADOS – Ao final do primeiro dia, o governador Ratinho Jr. fez um balanço sobre os assuntos e as perspectivas do futuro. Ele destacou que o sentimento geral é de que os investidores estrangeiros se surpreenderam com o Estado.

“Foi um dia muito produtivo. Deu oportunidade para que as empresas se apresentassem aos investidores e também ouvissem o que precisam para ampliar o comércio com essa região. Tivemos comitivas da Jordânia, Turquia e do Egito, grupos empresariais que querem comprar do Paraná”, disse.

“E todos esses investimentos que estão sendo discutidos geram empregos lá na ponta. É a produtividade do Paraná sendo exportada”, arrematou. (Com AEN)

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