8 de julho de 2019

Alessandro diz que Euzita “orgulha Ponta Grossa” e acredita que engenheira falou a verdade

O ex-secretário de Obras e Serviços Públicos, Alessandro Lozza Pereira de Moraes, atual chefe de gabinete do prefeito Marcelo Rangel, negou ter pressionado a engenheira civil Euzita Ferreira, a assinar uma medição fraudulenta de aproximadamente R$ 1 milhão, da obra da Escola Estadual Francisco Pires Machado, localizada no Cará-Cará.

Em depoimento ao Ministério Público do Estado do Paraná, em 15 de março de 2018, na Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa (0030884-07.2018.8.16.0019 – 1ª Vara da Fazenda Pública de Ponta Grossa), que integra a Operação Quadro Negro e investiga o desvio de dinheiro de obras de escolas públicas do Paraná, o ex-secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Alessandro Lozza Pereira de Moraes, atual chefe de gabinete do prefeito Marcelo Rangel (PSDB), negou ter pressionado a engenheira civil Euzita Ferreira, a assinar uma medição fraudulenta de aproximadamente R$ 1 milhão, da obra da Escola Estadual Francisco Pires Machado, localizada no Cará-Cará (relembre). O depoimento do ex-secretário foi divulgado na manhã de hoje, 08, no programa O Repórter, pelo ex-prefeito e ex-deputado Jocelito Canto.

Alessandro inicia o seu depoimento confirmando aos promotores que era o “chefe dos fiscais”. “A Secretaria continha os fiscais. Não que eu tivesse uma ascensão sobre eles, porque sou farmacêutico”, alegou o ex-secretário, informando que os fiscais eram “independentes” e que não participava dos processos de licitação e fiscalização das obras, negando problemas no período que comandou a pasta. Em seguida, ele confirmou que antes de serem encaminhados para a Secretaria Municipal de Planejamento, os processos passavam por ele.

Ao ser confrontado pelos promotores com o depoimento de Euzita Ferreira, Lozza de Moraes afirmou que os dois engenheiros responsáveis pela fiscalização da obra eram “extremamente rigorosos”, complementando que “tenho certeza que esses dois engenheiros orgulham o Município de Ponta Grossa”. O ex-secretário negou ter tido contato com o diretor da Secretaria de Estado da Educação (SEED), engenheiro Evandro Machado, que segundo Euzita em depoimento ao MP, também havia lhe pressionado a assinar os documentos falsos. “Ela [Euzita] deve ter conversado [com Evandro], mas eu não tinha ascensão, por não ser profissional da área, não tinha nenhum envolvimento direto com os problemas de fiscalização. Não teria nem como fazer isso”, afirmou, informando não se recordar de ter recebido Machado.

O ex-secretário também negou ter pedido para que a engenheira assinasse a medição fraudulenta. “Nunca pedi para ninguém. Se alguém pediu, pode ter sido outra pessoa”, afirmou, informando se recordar que Euzita lhe trouxe a informação, segundo ele, “de alguma coisa não estar certo”. “Ela falou que de forma alguma faria algo errado e isso também me tranquilizou”, relatou, afirmando que não se recordava do que havia dito para Euzita na ocasião, mas que estava tranquilo por saber que os engenheiros responsáveis pela fiscalização da obra “não tinham envolvimento nenhum”.

Alessandro Lozza negou que estivesse sendo pressionado pelo então secretário de Planejamento, João Ney Marçal Júnior, para que Euzita assinasse a medição falsa. “Não fui pressionado. Poderíamos até ter tido alguma conversa”. Ele afirmou que “imagino que ela deve ter tido muita pressão”, mas não soube informar de quem.

Alessandro Lozza de Moraes confirmou que conversou com a engenheira antes do seu depoimento ao Ministério Público. “Falei para Euzita o seguinte: tudo o que é necessário e ela tem que falar a verdade. E eu acho que ela deve ter falado”, concluiu o ex-secretário de Obras.

VÍDEO – O vídeo do depoimento ex-secretário de Obras e Serviços Públicos, Alessandro Lozza Pereira de Moraes, possui 12 minutos e 22 segundos. O BLOG DO JOHNNY teve acesso à íntegra do depoimento no processo que é público e o divulga sem edições. Na ação, o Ministério Público denuncia irregularidades na contratação e execução da nova sede da Escola Estadual Francisco Pires Machado, localizada no Cará-Cará.

Orçadas em R$ 4,7 milhões, as obras estão paradas desde 2015, quando a Valor Construtora abandonou o empreendimento, três meses após a eclosão da Quadro Negro. Na parceria firmada em 2011, o governo do Estado financiaria a obra, enquanto o Município ficaria responsável pela execução e fiscalização dos trabalhos. A licitação aconteceu somente em 2013.

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