26 de junho de 2019

Erva-mate pode impulsionar economia no Vale do Iguaçu

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O governador Ratinho Junior participou ontem, 25, do lançamento oficial do Conselho Gestor da Erva-Mate. O Estado vai incentivar o desenvolvimento do cultivo da planta que pode ser o propulsor de diversas iniciativas, como incentivo ao turismo, geração de emprego e industrialização da cadeia de alimentos.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) afirmou ontem, 25, no Palácio Iguaçu, durante o lançamento oficial do Conselho Gestor da Erva-Mate (Cogemate), que o Estado vai incentivar o desenvolvimento do cultivo da erva-mate e que o produto pode ser o propulsor de diversas iniciativas da gestão, como incentivo ao turismo, geração de emprego e industrialização da cadeia de alimentos.

Ratinho Jr. ressaltou que a planta, símbolo de ciclos econômicos fundamentais nos últimos séculos e presente no brasão estadual, é um diamante bruto que precisa voltar a ser lapidado. Segundo ele, o Vale do Iguaçu, no Sul do Estado, tem o produto como vocação e capacidade para se organizar em mais cooperativas para que o incremento da produção seja acompanhado de desenvolvimento tecnológico, atração de novas empresas e aumento do consumo.

“A vocação do Paraná é produzir alimentos para o planeta, temos que bater nessa tecla. Nossa matriz econômica é essa. E essa organização é fundamental para que o poder público possa colaborar”, afirmou o governador.

O Cogemate nasceu em abril deste ano com o compromisso de organizar uma cadeia produtiva que engloba nove municípios, dez mil propriedades e cem mil famílias. O Vale do Iguaçu é o maior produtor de erva-mate sombreada do país e exporta o produto para inúmeras nações da Europa e da Ásia, além dos Estados Unidos. A erva-mate pode ser utilizada em energéticos, indústria farmacêutica e na composição de alimentos industrializados, além da versão mais conhecida para chimarrão, suco, chá ou tererê.

O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, disse que o Paraná ganha força na produção de erva-mate com o Cogemate e a instauração, ontem, de uma frente parlamentar de atenção qualificada a esse produto. “A erva-mate tem força no Paraná, emprega muita gente, permite renda para muitas famílias rurais. Além disso, vem ganhando novos usos e espaço na indústria do alimento, dos remédios, da beleza e do material de limpeza”, completou.

Líder do Governo na Assembleia Legislativa e um dos idealizadores do Cogemate, o deputado Hussein Bakri (PSD) destacou que os municípios e produtores da região perseguem há muito tempo uma retomada de incentivos estaduais na produção da erva-mate. “Há uma perspectiva de crescimento do setor que vai ao encontro ao movimento do Paraná. Precisamos gerar emprego e renda e a erva-mate será um canal muito forte dessa orientação”, pontuou.

Bakri ainda disse que os incentivos nessa cadeia representam o caminho mais curto para recuperar áreas do Vale do Iguaçu que ficaram estagnadas nos últimos anos em função do fim do ciclo de ouro do produto.

PARCERIAS – O presidente da Cogemate, Naldo Vaz, destacou que a produção de erva-mate é ambientalmente sustentável e que apenas 21% das lavouras da região são fixas – as demais ocorrem em conjunto com matas nativas. Cerca de 37 mil famílias vivem no Paraná em função da planta, o que justifica a necessidade de apoio da administração estadual.

“O setor está indo bem, mas precisávamos montar um conselho para questões de políticas públicas, inovação, pesquisa e tecnologia. Temos amparo de câmaras técnicas, universidades, entidades florestais, Sebrae, Sistema S, mas nada funciona sem o setor público”, afirmou Vaz.

Ortigara completou que a Emater e as equipes técnicas da Secretaria de Agricultura vão se dedicar a ajudar a melhorar a cadeia. Ele também destacou que o Paraná já tem uma lei específica sobre a cadeia para ampliar a sua dimensão. “Vamos trabalhar para avançar em ações objetivas, incentivo de pesquisa nas universidades públicas, ampliação do braço técnico para manejo adequado ou estimular processo de valorização e identidade, além de atração de investimentos”.

No encontro foram debatidos a criação do Arranjo Produtivo Local (APL), de uma zona franca, leis estaduais de manejo sustentável, parceria com a Copel para o plantio embaixo das redes de energia, desenvolvimento de pesquisas acadêmicas, marketing institucional em cima do produto e fomento ao turismo. Outra parceria pode ser voltada ao incremento de chá ou suco de erva-mate nas merendas escolares para estimular o consumo e a cultura desse símbolo estadual.

HISTÓRIA – Da metade do século XVI até 1632, a erva-mate era a atividade econômica mais importante dos territórios que hoje compõem o Paraná. Nos anos 1800, chegou a representar 85% do PIB do Estado, muito em função da estrutura ferroviária e dos engenhos litorâneos. A Universidade Federal do Paraná (UFPR), primeira do país, foi uma conquista desse período de pujança econômica, no século XX. (Com AEN)


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