5 de agosto de 2019

Empresário do Natal de PG diz ter levado calote da Prefeitura e acusa secretário de lhe pedir dinheiro

André Jonsson - Blog do Johnny

Ambrózio Colnago, da empresa Natal de Luz (Angela Molina Colnago – ME), de Presidente Prudente, interior de SP, briga para receber R$ 80 mil da Fundação Municipal de Cultura pela decoração natalina de Ponta Grossa em 2017. Ele acusa o presidente da Fundação, Fernando Durante, de lhe pedir R$ 20 mil para patrocínio de um evento. Durante nega a acusação e chama o empresário de “vagabundo”.

A reportagem do Blog do Johnny esteve na última terça-feira, 30, na cidade de Presidente Prudente, interior do Estado de São Paulo, na sede da empresa Natal de Luz (Angela Molina Colnago – ME), responsável pela decoração natalina de Ponta Grossa nos anos de 2015 e 2017.

No Natal de 2015, a Prefeitura de Ponta Grossa pagou para a empresa Natal de Luz, segundo o Portal da Transparência, através da Fundação Municipal de Turismo, R$ 351.763,17. A reportagem não conseguiu apurar se houveram pagamentos em 2015, porque somente é possível consultar no Portal da Transparência as despesas a partir de 2016. Em 2015, a reportagem identificou que a Prefeitura licitou R$ 709.516,69 em despesas para o Natal.

Já no Natal de 2017, a Prefeitura pagou para a empresa R$ 80.000,00 através da Fundação Municipal de Cultura, R$ 216.334,80 através da Fundação Municipal de Turismo, e R$ 252.442,52 através da Agência de Fomento Econômico de Ponta Grossa (AFEPON), totalizando R$ 548.777,32. Em 2017, a reportagem identificou que a Prefeitura licitou R$ 726.294,63 em despesas para o Natal.

Segundo o empresário Ambrózio Aparecido Saturno Colnago, da Natal de Luz, do contrato de R$ 160 mil com a Fundação Municipal de Cultura em 2017, está pendente de pagamento a metade do valor. “Ficou um saldo de R$ 80 mil. Me desdobrei para poder receber. Tudo o que recebi tive que ir em Ponta Grossa. Fiz doze viagens, de quinhentos quilômetros. A última faz 20 dias. De ônibus, de carro, de carona, só não fui a pé para tentar receber. Toda a vez que vou não sou recebido nem pelo Marcelo [Rangel, prefeito], nem pela vice [Elizabeth Schmidt] e ninguém que contratou a minha empresa. Chego lá e costumo ficar de quatro a cinco horas para ser atendido. Diz que ele nunca está lá. Isso aí é um calote”, denunciou Colnago.

“Paguei mais caro todo o tipo de material. Fiquei devendo no Brás [São Paulo] R$ 50 mil para um chinês, que até ameaçado de morte eu fui porque comprei material para Ponta Grossa fiado”

O atraso nos pagamentos, segundo o empresário, lhe causaram prejuízos. “Me trouxe prejuízo enorme. O salário de funcionários atrasados, fui despejado do meu galpão – estou em um novo que não tem a mesma estrutura, mas é o que eu posso. Em 2017 éramos em 21 funcionários, terceirizados chegavam a 70, hoje somos em quatro. É dor de cabeça, briga em família. Muitos funcionários meus nem olham na minha cara. Gente que trabalhou para mim e eu não consegui pagar”, contou.

TAPETE VERMELHO – Em 2015 e 2017, Ambrózio Colnago diz ter sido recebido em Ponta Grossa pelo prefeito Marcelo Rangel (PSDB) “de tapete vermelho”. “Enquanto o Marcelo teve o interesse me recebia de tapete vermelho. Me ligava toda a noite e falava: Ambrózio ninguém faz decoração mais bonita do que você. No primeiro Natal fui ovacionado. O Marcelo nem na rua saia, ele sabe disso. Quando acendeu a decoração me pediu para ir pra lá para ver ele na rua. Fui com ele no Parque Ambiental e fiquei impressionado. O pessoal vinha abraçar ele. Ele falava assim: agora nem os meus inimigos podem bater em mim mais, olha como isso aqui está lindo. O Marcelo me chamou no final do ano para agradecer o que eu tinha feito e colocou todo o secretariado para a gente jantar, me agradeceu e pediu para me aplaudir”, contou o empresário. “Depois sumiu. De 18 de dezembro de 2017 eu nunca mais vi o Marcelo. Me bloqueou nas redes sociais e nos telefones dele. Não me atende mais, nem o chefe de gabinete [Alessandro Lozza de Moraes]”.

Colnago relatou que durante a sua última vinda à Prefeitura de Ponta Grossa, tomou conhecimento na Secretaria Municipal da Fazenda, que um parecer da Procuradoria Geral do Município condenou a empresa ao pagamento de 10% do saldo restante, segundo ele devido à atrasos na entrega da decoração. “A gente negocia Natal em maio com as prefeituras. Me procuraram na segunda quinzena de outubro. Paguei mangueira luminosa a R$ 17 o metro na Bahia, que era o único local que tinha importador para atender, quando pago R$ 2,90 o preço normal. Paguei mais caro todo o tipo de material. Fiquei devendo no Brás [São Paulo] R$ 50 mil para um chinês, que até ameaçado de morte eu fui porque comprei material para Ponta Grossa fiado. Em Ponta Grossa devo para duas empresas, não consegui pagar tudo. E receber isso daí que estou recebendo do Marcelo e da Prefeitura”, reclamou, alegando que foi contratado aos “50 do segundo tempo”.

Ele contou ainda que um relatório da Fundação Municipal de Cultura aponta que a empresa deixou de entregar decorações previstas no contrato. “O Fernando Durante [presidente da Fundação de Cultura] pegou e veio com um relatório falando que eu deixei de entregar a árvore de 36 metros que a gente tem foto. O Marcelo ainda no dia me mandou foto do celular dele, falando Ambrózio ficou linda, muito obrigado. Falou que não tinha uma outra árvore de caixa de presente que estava na frente do prédio da Casa do Papai Noel”, afirmou. O empresário possui os registros fotográficos das peças e relatou que enviou a sua defesa para a Prefeitura. “O Fernando Durante acha que a decoração é de graça, que a gente trabalha de graça. Não tem compromisso, não tem funcionário, não tem família, não come e nem bebe”.

Colnago revelou que mesmo a Prefeitura devendo para a sua empresa o Natal de 2017, foi procurado pelo presidente da Fundação Municipal de Turismo, Edgar Hampf, para fazer a decoração da cidade no ano passado. “Me procuraram, mas eu não tenho vontade nenhuma de fazer Natal lá”.

ROUBO DO MENINO JESUS – Entre as peças da decoração, estavam um presépio em tamanho real, que tinha como peça principal o menino Jesus na manjedoura. A imagem foi roubada do Parque Ambiental em dezembro de 2017 e devolvida para a Prefeitura no final de janeiro. Colnago conta que a Prefeitura não lhe entregou a imagem. “Recebi a notícia através da imprensa de Ponta Grossa que tinham furtado ele. A Prefeitura sequer me avisou, era de responsabilidade do Fernando Durante e sequer me ligou ou mandou um assessor me ligar avisando: Ambrózio, roubaram o menino Jesus. Ficou até ruim para a cidade, eu vi a repercussão. Quando fui retirar o material, ninguém veio me falar. Em janeiro a imprensa torna a me ligar falando que tinham encontrado ele abandonado e entregue na Prefeitura. Até hoje a Prefeitura não me devolveu. Já fui lá e ninguém sabe falar. Ela está fazendo uso indevido daquilo que não é dela. Furtou ou foi eles que esconderam”, denunciou o empresário, dando conta que a peça custa R$ 2,9 mil. Ele relatou ainda que diversas peças da decoração foram danificadas, causando um prejuízo de R$ 10 mil para a restauração. “A Maria veio sem a mão e o boi sem orelha. Quebraram tudo”.

PEDIDO DE DINHEIRO – Em 2017, Ambrózio Colnago disse que em uma oportunidade, o presidente da Fundação de Cultura, Fernando Durante, lhe pediu dinheiro. “Pediu para mim patrocinar um evento lá que eu não sabia qual. Falei que não podia porque já estava muito apertado, comprei tudo mais caro. Era R$ 20 mil para patrocinar um evento dele lá. Acho que é por isso que ele não quer me pagar”, denunciou.


Durante diz que Prefeitura não pagou porque empresa entregou somente metade da decoração

O presidente da Fundação Municipal de Cultura, Fernando Durante, negou a acusação que pediu dinheiro ao empresário Ambrózio Colnago, e o chamou de “vagabundo, cretino, mentiroso e desqualificado”.

O Blog do Johnny ouviu na última sexta-feira, 02, o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Fernando Durante, sobre a denúncia feita por Ambrózio Aparecido Saturno Colnago, de um pedido dinheiro feito por ele ao empresário. Durante confirmou que conhece o empresário, mas negou a acusação. “Se ele falar isso vou processar esse vagabundo. Porque já estou com ele pelas tampas. Se ele falar um negócio desse vai tomar um processo que não vai saber nem por onde arde. Isso é um absurdo, um cretino falar um negócio desse. Ele que fale isso para ver o que vai acontecer para ele”, esbravejou o presidente da Fundação de Cultura. “Divulgue que eu vou meter um processo nesse cara para ele largar mão de ser mentiroso e vagabundo”.

Segundo Durante, o valor do saldo devedor não foi pago porque a empresa Natal de Luz (Angela Molina Colnago – ME) não entregou a decoração. “O problema é que ele não entregou metade do que prometeu, consequentemente a Prefeitura só pagou o que ele entregou. O empenho dele já foi realizado e pago. Foi pago além do que a gente poderia. Ele mesmo mandou um e-mail dizendo das coisas que não entregou. Não entregou nada, deixou todo mundo louco porque prometia para um dia e não trazia”, alegou. “Quando ele não cumpriu o que prometeu, mandei para a Procuradoria o processo. Quando veio o Observatório Social falar que a gente já tinha que ter feito alguma providência, eu já tinha feito. Fui o primeiro que denunciei antes do Observatório falar alguma coisa”, afirmou o presidente da Fundação de Cultura, informando possui o parecer do fiscal do contrato e o processo dos materiais que não foram entregues. “Ele não tem o que receber. O que ele fez foi pago e o que não fez, não foi”.

AMEAÇA DE MORTE – Fernando Durante revelou que o empresário chegou a ameaçar o prefeito Marcelo Rangel (PSDB) de morte. “Esse cara é um desqualificado. Tanto que ele está proibido de participar de licitação no Estado de São Paulo inteiro. Ele ameaçou o prefeito de morte, ameaçou o Alessandro [Lozza de Moraes, chefe de gabinete]. Ele fez um monte de confusão. Tanto que quando deu o tiro na Prefeitura acharam que tinha sido ele”, revelou o presidente da Fundação.

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