29 de junho de 2017

Angústia do futebol, artigo de Marcello Richa

Divulgação

“Situações trágicas que demonstram a urgência do poder público, clubes, torcidas organizadas e mídia atuarem juntos para fazer do futebol aquilo que ele realmente deveria ser: um espetáculo para famílias e torcedores e um trabalho para os profissionais da área”

Inegavelmente o esporte tem o poder de despertar paixões nas pessoas. Geralmente isso é algo benéfico e atua como um incentivador para que muitos pratiquem atividades saudáveis, acompanhem competições e se divirtam com os amigos. Porém essa paixão às vezes supera a linha da racionalidade, especialmente no futebol, onde o país possui um extenso histórico de violência e mortes em confronto entre torcedores.

De acordo com levantamento do jornal Lance!, o Brasil registrou 300 mortes ligadas ao futebol desde 1988, isso sem contar os incontáveis casos de agressão, vandalismo e destruição de patrimônio. Apesar de tanto tempo lidando com essa situação de violência, ainda estamos longe de alcançar uma solução para a verdadeira angústia do futebol brasileiro e exemplos recentes deixam isso claro para todos.

Apenas nesse mês assistimos duas situações que escancaram que a violência ainda continua muito presente no futebol. Antes da partida entre Corinthians e Coritiba pelo Campeonato Brasileiro, um torcedor foi brutalmente espancado e por pouco não perdeu a vida. Uma semana depois um torcedor do Goiás foi morto antes da partida contra o Vila Nova, pela Série B do Brasileiro.

Situações trágicas que demonstram a urgência do poder público, clubes, torcidas organizadas e mídia atuarem juntos para fazer do futebol aquilo que ele realmente deveria ser: um espetáculo para famílias e torcedores e um trabalho para os profissionais da área.

Infelizmente no Brasil o tema não recebe a devida atenção, as leis não preveem penas rígidas para a violência de torcedores e ocorre muita impunidade. Dados do Ministério do Esporte mostram que apenas 3% dos assassinatos relacionados ao futebol acabam em condenação, um número absurdo que demonstra a necessidade de mudarmos a nossa abordagem em relação ao problema.

Anos atrás a Inglaterra viveu um cenário no futebol até mais crítico que o do Brasil, mas superou essa realidade e se tornou um exemplo mundial graças a um conjunto de ações que incluíram a participação direta de clubes e da segurança pública. Essa mudança aconteceu devido à implantação e cumprimento de leis mais severas, melhoria de estrutura e ações efetivas de repressão e prevenção.

Entre as principais ações que realizaram estão instalações de câmeras em todos os estádios para monitoramento e verificação da presença de torcedores com comportamento violento, que eram sumariamente retirados. Também criaram a Ordem de Banimento do Futebol, que obriga o torcedor violento a ficar de três a dez anos afastados do estádio (cada vez que seu time jogar, ele tem que se apresentar a uma delegacia). Caso não o faça, é processado e preso.

Lógico que a realidade estrutural e financeira da Inglaterra é bem diferente do Brasil, mas é um exemplo de trabalho preventivo eficaz, que seguido de ações de comunicação com foco na conscientização dos torcedores, podem trazer resultados positivos.

A mudança não acontecerá do dia para a noite, mas com ações intersetoriais, punições severas, constante aprimoramento da polícia e agentes de segurança para lidar com grandes eventos esportivos, fortalecimento da comunicação e maior organização nos estádios, é possível enfrentar a cultura de violência que ainda existe no futebol brasileiro.

Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR) e secretário municipal de Esportes, Lazer e Juventude de Curitiba


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